VANGELIS

 

Durante o ano de 1985, os fãs do músico grego Vangelis Papathanassiou não tiveram o que reclamar, pois nada menos do que quatro LPs dele foram lançados no Brasil. Recapitulemos:

Sou Festivities, Blade Runner (trilha sonora que, embora não executada por ele, é de sua autoria), Mask e Invisible Connections.. Quanto a esse último, marcou um importante passo na carreira desse músico, que optou, convictamente, pela erudição musical. Acontece que a obra foi lançada pela etiqueta alemã Deutsche Grammophon (representada no Brasil pela Polygram), que só se dedica à edição de trabalhos de elevado nível, principalmente os chamados clássicos.

E realmente o Vangelis correspondeu á honra que lhe foi concedida, elaborando um disco bem à altura de contemporâneos, como Pierre Boulez, Kagel, Frank Zappa e outros. Trata-se de uma obra eminentemente percussiva, onde o próprio piano é utilizado com uma filosofia diferente da usual. Fora isso, o multi instrumentista fez questão de demonstrar que não é escravo dos sintetizadores, afirmando-se capaz de, criar atmosferas progressistas com elementos basicamente acústicos.

Vangelis nasceu em Volos, distante uns duzentos quilômetros da capital Atenas, onde cresceu e foi educado. Iniciou muito cedo a se dedicar ao estudo do piano (por volta dos quatro anos de idade), bem como da experimentação. Conta-se que, ainda menino, adquiriu o hábito de colocar latas e panelas no interior do instrumento, procurando, eventualmente, sons diferentes. É claro que seus pais achavam, provavelmente, que estava ‘fazendo arte". Comenta-se, ainda, que foram atitudes desse tipo que o fizeram desvirtuar-se dos estudos normais de música, incompatíveis com suas aspirações de experimentador nato.

Quando tinha uns dezoito anos, Vangelis se sentiu atraído pelo rock. Em função disso, comprou um órgão Hammond e formou, com um grupo de amigos, um conjunto chamado Formynx. Mas sua alegria durou pouco, pois a Grécia não dava a mínima chance para rockeiros. Em 1968, descontente com essa situação, e também com o clima político que se estabeleceu no país, após o golpe militar. Vangelis resolveu exilar-se, voluntariamente. Com aproximadamente vinte e cinco anos, chegou em Paris. Na capital francesa, formou a banda que o tirou do anonimato, o Aphrodite ‘s Child. Estavam com ele: Demis Roussos (baixo e vocal) e Lucas Sideras (bateria e percussão). Com esse trio, só há notícias que tenha realizado dois trabalhos. No primeiro deles, realizado em 1969, estava presente "Rain And Tears", a faixa que abriu as portas para o sucesso. Nos anos sessenta, o músico grego Vangelis Papathanassiou era um quase-anônimo tecladista no conjunto Aphrodite’s Chiid. Entretanto, foi fiel a suas aspirações de experimentador, e resolveu desenvolver um estilo mais conseqüente de música, em carreira solo.

Essa opção lhe valeu algumas recompensas, tais como um Oscar e a chance de gravar um LP através do selo Deutsche Grammophon, o selo dos clássicos.

A segunda obra de Vangelis com o Aphrodite ‘s Child, 666, mostra-o comprometido, novamente, com a experimentação. Trata-se de um trabalho bem diferente do primeiro (que era muito pop), onde o músico se preocupou mais com as tomadas de televisão. Entre essas realiza ções, encontra-se para ele. Particularmente, acredito mais nessa trilha sonora para o filme de Frederic sa segunda versão.

O Yes, findou por manter uma sólida amizade com o vocalista Jon Anderson. Em Londres, onde estabeleceu um laboratório. Foi nessa mesma época que circularam os de seus LPs. Mais tarde, a experiência evoluiu rumores que viria a substituir o Rick Wakeman, tanto, que passaram a elaborar discos no grupo Yes. Todavia, o evento não se confirmou e sim como uma dupla.

Aliás, há duas versões para essa história coletânea. Em agosto de 1982, Vangelis falou a primeira vez e disse que o sindicato dos músicos e a revista norte-americana Keyboard sobre ex-ingleses; e criou obstáculos, pelo fato de ele ter sua união com Anderson: estrangeiro. A outra relata que o músico não "Nem sei como foi, o fato é que a contestava mais disposto a trabalhar com conjunto e um álbum juntos.

Tudo começou quando ele veio me visitar, numa noite. E só foi necessária aquela noite, mais uma fita, para realizarmos nosso primeiro álbum. No dia seguinte, ouvimos o que haviamos feito, e achamos interessante, muito embora ainda nem pensássemos na realização do disco. Mas quando alguns amigos ouviram a fita, logo disseram que deveríamos produzir o LP. Então, decidimos editá-lo. Foi assim que nasceu Short Stories Graças ao sucesso que obteve, partimos para o segundo, The Friends Of Mr. Cairo"

Agraciado com um Oscar

Em 1982, Vangelis ganhou um Oscar, da academia de Holywood, pela melhor trilha

sonora do ano (a de Chariots Of Fire, que foi exibido no Brasil como Carruagens de Fogo). De certa forma, foi difícil para ele realizar aquela trilha. Imagine a tragédia que deve ser um diretor de cinema chegar para um Vangelis e dizer: "Aqui eu preciso de uma música de um minuto e vinte segundos, que é o tempo de duração desta cena". Acredito que o leitor sentiu qual foi a dificuldade, certo? mas o detalhe é que a trilha acabou saindo, e muito boa, por sinal Na mesma época, realizou outra trilha, a de Biade Runner (no Brasil foi exibido como O Caçador de Andróídes). Nessa, Vangelis se sentiu mais à vontade, pois a concepção do filme permitia trechos longos de música. Além disso, o clima futurista da estória deu maior margem para que ele se soltasse, principalmente com a eletrônica. Curiosamente, criou obstáculos para a publicaçdo da trilha em disco. A alegação que se ouviu, na época, era que queria configurar-se como um compositor de trilhas sonoras. Por insistência dos norte-americanos, ele autorizou que a New American Orchestra realizasse a gravação. Todavia, que fique claro que a trilha original do filme é executada por ele.

Daquelas trilhas para cá, o célebre músico andou um pouco sumido. Durante o ano de 1983, só foram vistas algumas coletâneas. Em compensação, o ano de 1984 foi bastante produtivo, iniciando-se com Sou Festivities, o primeiro que os brasileiros viram em 1985. Atualmente, não há noticias sobre o que anda fazendo, bem provável que esteja descansando, com muito mérito. Afinal, agora ele é um membro da intelectualidade cadastrada pela Deutsche Grammophon...

Para grande orgulho de todos nós, rockeiros!!!!

Valeu meu músico predileto !!!!

Vangelis.