História do Samba-Rock
Ainda forneceu repertório para as bandas de rock que se aventuraram pelo samba, como é o caso dos Mutantes (em A Minha Menina, no seu disco de estréia) e os Incríveis (em Vendedor de Bananas). Ainda no fim dos anos 60 outros exemplos de como o samba poderia caber na moldura rítmica do rock-soul: a Pilatragem de Carlos Imperial e Wilson Simonal (que fez de País Tropical, de Jorge Ben Jor, um de seus grandes sucessos) e a farra orquestral do maestro Erlon Chaves (que concorreu em 1970, no V Festival Internacional da Canção, da Rede Globo, cantando Eu Quero Mocotó, também de Jorge, acompanhado por sua Banda Veneno).
Nos anos 70, a voz grandiosa de Tim Maia popularizaria o samba-soul, emplacando dois sucessos nesse estilo: Réu Confesso e Gostava Tanto de Você. Jorge Ben Jor teve uma queda para o funk a partir do disco A Banda do Zé Pretinho (1978), mas artistas por ele diretamente influenciados seguiram a sua orientação anterior, com muito sucesso em bailes do subúrbio carioca. É o caso de Bebeto (O Negócio é Você Menina, Flamengo) e de Serginho Meriti. Em São Paulo, os bailes de periferia também ferviam ao som do samba-rock-suíngue, de nomes como o Trio Mocotó (que originalmente acompanhava Jorge Ben Jor), Copa 7, Luiz Vagner (que foi do grupo de jovem guarda Os Brasas, homenageado por Ben Jor com a música Luiz Vagner Guitarreiro), Branca Di Neve (falecido em 1989), Carlos Dafé, Dhema, Franco (também ex-Os Brasas), Abílio Manoel e Hélio Matheus.
Reconexão
No começo dos anos 80, a diva do soul brasileiro e revelação, Sandra de Sá, teve um flerte com a cena do suíngue com as músicas Olhos Coloridos e Enredo do Meu Samba (de Jorge Aragão e Dona Ivone Lara, que por sinal teria um sucesso de samba-rock em dueto com Jorge Ben Jor, Sorriso Negro, de Adilson Barbado e Jorge Portela). Restrito aos bailes, o samba-rock pouco avançou em termos de reconhecimento nos anos 80, exceto pela reconexão de samba e rock ensaiada pelo roqueiro Lobão em sua parceria com o sambista Ivo Meirelles (que, mais tarde, daria origem ao projeto Funk'n'Lata de Ivo) e pela homenagem feita por Lulu Santos no disco Pop sambalanço e outras Levadas, de 1989.
Chegando ao fim dos anos 80, o circuito musical paulistano do samba se encarregaria de recauchutar a idéia sambalanço em um formato mais pop. Instrumentos eletrônicos de um lado, os velhos cavaquinhos, surdo, pandeiro e tantan de outro, surgiam nomes de grande sucesso como Raça Negra, Eliana de Lima e Negritude Júnior. Inicialmente voltados para um diluição das raízes do samba em música pop de gosto duvidoso, esses artistas acabaram por dar origem a um termo pejorativo, o pagode paulistano, também conhecido como samba mauriçola (por causa da insistência dos integrantes dos grupos em usar blasers, calças sociais e cordões de ouro).
Alguns deles, retomaram as referências do samba-rock, como é o caso do Art Popular (na música Agamamou) e o Molejo ( Samba Rock do Molejão). Na periferia de São Paulo, ao longo dos anos 90, os bailes continuavam tocando as velhas músicas, que apareciam aqui e ali em coletâneas piratas vendidas em lojas do centro da cidade. Enquanto isso, uma banda da periferia recriava o samba-rock, com fartas e equilibradas doses dos dois ingredientes: os Virgulóides, que estouraram em 1997 com a música Bagulho no Bumba, um poderoso cruzamento de guitarras, cavaquinho e batuques.