História do Samba de breque
Mas na verdade a inclusão de um breque (do inglês break, freio), ainda que dentro do samba, vem de antes, como lembra o próprio biógrafo de Moreira, Alexandre Augusto em O Último dos Malandros (Editora Record, 1996). Em 1929, o compositor Sinhô, que se auto-intitulava "o rei do samba", inseriu três redondilhas menores constituindo um verso de quinze sílabas em Cansei ("pois lá ouvi de Deus/ a Sua voz dizer/ que eu não vim ao mundo/ somente com o fito de eterno sofrer"), interpretada por Mário Reis. Também composições como Minha Palhoça ("lá tem troça/ se faz bossa"), de J. Cascata, e até O Orvalho Vem Caindo ("...guarda civil/ que o salário ainda não viu") de Noel Rosa e Kid Pepe, ambas de 1933, tinham suas freiadas, ainda que fossem apenas uma "arrumação do carro" da melodia para onde todos retornavam. Algo que desembocaria em sambas sincopados de Geraldo Pereira, craque em acoplar frases ao recorte melódico como em Escurinho ("já foi no Morro do Pinto/ acabar com o samba"), onde o espaço aberto parece a conta de um comentário de trombone.
Fórmula aperfeiçoada
Já o caso do original cantor Luis Barbosa (1910-1938), que morreu cedo e deixou raras gravações, é diferente. Ele, que ficou também conhecido por marcar o ritmo batucando num chapéu de palha, de fato iniciou o intervalo que caracterizaria o samba de breque, mas sua curta trajetória impediu maior divulgação da invenção. Numa entrevista do próprio Moreira reproduzida em O Último Malandro, ele reconhece ter "prolongado os breques" introduzidos no samba por Luis Barbosa. Foi aperfeiçoando a fórmula aliado a vários compositores até embarcar na série "cinematográfica" com Miguel Gustavo aberta por O Rei do Gatilho (e mais: Moringueira contra 007, O Último dos Mohicanos, Os Intocáveis, etc).
Outros cantores também gravaram sambas de breque como o rival de Moreira, Jorge Veiga, o paulista Germano Mathias e até o baiano Gilberto Gil. Especialista em todas as modalidades de samba, Nei Lopes não deixaria de colocar sua marca de artífice numa parceria com João Nogueira (Baile no Elite) além de dedicar um CD abrangendo o tema em Sincopando o Breque. Moreira da Silva ainda dividiu shows com o tropicalista Macalé, a quem chegaria a chamar de herdeiro - e que descreve em Tira os Óculos e Recolhe o Homem as confusões em que ambos se meteram numa excursão. Com alguma boa vontade pode-se ouvir ecos do gênero até mesmo em Você Não Soube Me Amar, mega sucesso da Blitz que inauguraria o Rock dos anos 80.