Introdução

 

Sem dúvida que a música popular brasileira e norte-amencana tiveram as mesmas origens: a Africa. é tanta a diferença entre os momentos históricos desses dois países, Brasil e EUA, quanto a diferença entre os episódios musicais vividos por ambos. Sofremos influências do jazz desde Pixinguinha, ainda que os assim chamados ‘nacionalistas" da MPB ignorem esses fatos. O mundo está de tal forma interligado pelos modernos meios de comunicação que parece infantil a preocupação em dar nacionalidade às diversas tendências e correntes, totalmente

infiuênciadas por outras, das quais diferentes origens. Ao longo do período que- vai desde o aparecimento da Bossa Nova até as novas tendências do rock nacional, do instrumental, passaram-se muitas novidades, muitas de qualidade duvidosa, e poucas vingaram, evoluiram dando campo a melhoramentos quer seja nas harmonizações, linhas melódicas ou ritmos. Determinadas variações de estilo dentro da Bossa Nova modificaram as formações instrumentais, que passaram a contar com menos e mais qualificados músicos. Exemplos disso é o próprio inventor do "banquinho e violão", João Gilberto.

Fã do estilo "cool", cantava tão baixo, quase murmurando a letra. Conta-se que apresentado por Tom Jobim nos EUA num estúdio, logo depois de um número, o técnico encarregado chamou Jobim a um canto e lhe reclamou: — "Você disse que ia trazer um cantor e trouxe um ventríloquo..." Era a caracterização do "cantor de microfone", uma vez sem ele, só se houve o acompanhamento.

Outro interprete e compositor que no inicio da carreira necessitava microfone foi Chico Buarque de Holíanda. Surgindo nos famosos festivais sempre às voltas com a censura, movimentos estudantis da década de 60, suas composições evoluiram da água para o vinho. Bastamos comparar o sucesso "A Banda", de linha melódica fácil de se cantar, com exatamente o contrário; ‘Retrato em Branco e Preto", difíceis de entoar e de harmonia bem mais elaborada.

"A continuidade da linha evolutiva da Bossa Nova", nas palavras de Caetano Veloso, foi, de praticamente quebrada quando a movimentação da "Jovem Guarda", que, naturalmente, assimilou influências do movimento de rock, via Beatles, ingleses e logo depois amencanos. Curiosamente, esboça-se atualmente na própria Inglaterra algo que já se começa a chamar de "Nova Bossa", harmonias mais trabalhadas, comedimento quanto às formações instrumentais que tendem ao mais simples, algo semelhante ao "banquinho e violão", porém tecnicamente mais elaborado. Nesse momentos, assistimos ao aparecimento em cena dos "baianos’, seguidos dos mineiros , ‘nordestinos" e com possibilidade de um surto de "planaltinos", como Tetê Espindola (Goiás) e seus vizinhos. Uma linha evolutiva tem certas dificuldades em percorrer tantos regionalismos com coerência.

Alguns pontos que incentivaram outros, levando a uma visão mais ampla do que temos à mão mais diversas regiões do pais. O objetivo desse estudo é a análise, seguida da prática, de diversas composições ao longo desse período que vai desde a Bossa Nova até os dias atuais. A compreensão total da MPB.