O Gênero Choro: A assimilação de influências

 

Como estes conjuntos tocavam à base de improviso, começou a desenvolver-se um elemento fraseológico que chamamos de baixaria. As baixarias são melodias feitas pelo violão, diferentes das melodias principais executadas pelo instrumento solista - agora não só a flauta, mas também o ofclide, o bandolim e outros - e que se tornaram uma das peculiaridades do choro. A partir da década de 20 a música popular começa a sofrer influência da música comercial norte-americana, fazendo com que antigos instrumentistas de choro parassem de tocar; outros músicos profissionalizaram-se, aderindo às grandes "jazz-bands", trocando o já falado ofclide pelo moderno saxofone, demonstrando um primeiro sintoma da esmagadora influência da música feita nos Estados Unidos.

Nesta época, Alfredo da Rocha Vianna Filho, o conhecido Pixinguinha, passa a tornar-se conhecido por suas composições e seu estilo de tocar flauta transversal; aderi a filosofia de Mário de Andrade de que a música estrangeira não deve ser repudiada, mas sim adaptada ao jeito brasileiro de tocar. O choro instrumental, já se firmando como gênero musical nascido no estilo de tocar, passa a ganhar letra, tornando-se música cantada, sob o nome de samba-choro. Os conjuntos de choro passam agora a admitir o uso de percussão, sendo chamados de regionais de choro, ou simplesmente "regionais". A partir da Segunda Guerra, o choro transformou-se em mais um dentre os gêneros criados com o aparecimento da música de consumo ligada aos interesses das grandes gravadoras internacionais. Apesar disso, sobreviveu, em parte, pela continuidade do estilo de acompanhamento dos regionais da era do rádio - chegando a promover o surgimento do mestre da "baixaria" no violão de 7 cordas, Horondino Silva, o Dino 7 cordas - e, pelo talento de alguns intérpretes e compositores como Pixinguinha, Jacob do Bandolim e seu conjunto Época de Ouro, Altamiro Carrilho, Benedito Lacerda, Luperce Miranda, entre outros. Um grande instrumentista e compositor que ajudou para o desenvolvimento e crescimento do choro foi Waldyr Azevedo, que com seu cavaquinho percorreu o mundo para a divulgação do choro e de sua música na década de 50 - mais tarde ele mudaria sua residência para Brasília.