MÚSICA DO BRASIL NA REPÚBLICA

 

 

A Proclamação da República em 1889 encontrou a cultura musical em grande desenvolvimento. O Conservatório do Rio de Janeiro foi transformado

pelo Governo Provisório em Instituto Nacional de Música.

No Rio de Janeiro e São Paulo a vida artística era intensa, com boas

escolas particulares, apresentações de virtuoses estrangeiros de renome internacional e grande atividade na ópera, na música sinfônica e na de câmera.

Vários compositores foram aperfeiçoar-se na Europa com bolsas de estudo oferecidas pelo Governo.

Em virtude disto no Brasil surgiram duas tendências principais: uma que se deixou orientar pela escola européia, outra já mais nacional, mostrando em sua música maior aproveitamento do folclore brasileiro, ambas românticas.

Entre os compositores brasileiros, deixaram orientar-se pela escola européia Leopoldo Miguez e Henrique Oswald.

Leopoldo Miguez (Niterói, 1850) ainda criança foi levado à Espanha, terra do pai, e depois ao Porto, onde estudou violino. De volta ao Brasil, dedicou-se ao comércio, que abandonou para dedicar-se à música.

Classificou-se em primeiro lugar no concurso para escolha da música do Hino Nacional (1890), mas o Governo resolveu que permanecesse o hino de Francisco Manuel da Silva. Seu hino foi, então, oficializado, com letra de Medeiros e Albuquerque, como Hino da Proclamação da República (Decreto nº 171, de 20 de janeiro de 1890).

Recebeu nesse concurso um prêmio de 20 contos de réis, com que comprou um órgão que doou ao Instituto Nacional de Música, do qual era diretor. Esse órgão foi substituído por um moderno em 1954.

Entre suas obras citam-se os poemas sinfônicos Prometeus, Parisina e Ave Libertas, e as óperas Saldunes e Pelo Amor. Inspirou-se em Lizt nos poemas sinfônicos e em Wagner nas óperas.

Henrique Oswald (Rio 1854-1931) descendia de suíços. Estudou piano, harmonia, contraponto e composição. Obteve o primeiro prêmio do concurso instituído pelo Le Figaro, de Paris, com a peça II Neige (Está Nevando), O melhor de sua obra está na música de câmera. Compôs as óperas Croce d’Oro (Cruz de Ouro), Le Fate (O Destino) e II Neo (O Novato).